Vamos colocar as casas em ordem?

Câmara

“Houve um tempo em que minha janela
se abria sobre uma cidade
que parecia ser feita de giz” – Cecília Meireles

Quando os munícipes vão à câmara para acompanhar a ordem do dia e se manifestam com palmas ou com palavras é comum serem, severamente, advertidos pelo presidente da casa, Mario Hossokawa, que diz que Regimento Interno proíbe qualquer tipo de reação vindo da plenária.

Ou seja, o povo tem que ficar caladinho, mesmo quando são afrontados por alguns nobres que os representam, como o fez Vereador Heine Macieira em sessão ordinária (não a especial) do dia 2 de fevereiro, chamando os manifestantes contrários aos $upersalário$ de meia dúzia de gatos pingados. Veja sessão gravada e adiante o vídeo para o horário 1:21:47. É interessante avançar depois para 1:26:01 e assistir a fala dos Vereadores Humberto Henrique e Manoel Sobrinho defendendo a liberdade de expressão do povo, ao mesmo tempo que o Presidente Mario Hossokawa reafirma a vontade em manter o povo calado; colocando-se contrário a reforma do Regimento Interno, pretendida por Henrique.

Ainda na mesma sessão é interessante ouvir até 1:38:40 onde há uma fala bastante relevante do Vereador Mario Verri e da Vereadora Marli Martins que fizeram uma análise de como a Câmara tem sido feita escudo de proteção do executivo e como a participação popular é fundamental para averiguar mais de perto o que se passa na casa de Leis de Maringá.

Já no dia 7 de fevereiro, os manifestantes contrários a Usina de Incineração de Lixo em Maringá foram chamados de cavalos que empinam a carroça e que não podem ser domados nem com laço e nem com chicote. Isso mesmo! A cena parecia coisa de filme do passado, mostrando um coronel com um chicote imaginário enriste, pronto para domar os espíritos selvagens. Quem quer ver para crer, busque no site sessão gravada e adiante o vídeo para o horário de 1:36:29.

Fica implícito que esses munícipes não passam de animais selvagens e débeis, segundo o entendimento do nobre vereador Dr. Sabóia. Isso porque ousaram e ousam questionar o supra supremo poder do executivo dessa cidade. Executivo esse, o qual, diga-se de passagem, elegeram para garantir-lhes o bem estar. Executivo esse, o qual, diga-se de passagem, deveria ser vigiado pelos nobres vereadores (Dr. Heine Macieira, Zebrão, Bravim, Flavio Vicente, Dr. Paulo Soni, João Alves, Luiz do Postinho, Márcia Socreppa, Wellington Andrade e Mário Hossokawa) e não o contrário.

Para finalizar, assista o momento em que Macieira vibra com a aprovação da PPP – Parceria Público Privada, para contratar a empresa Foxx Soluções Ambientais (Sim! Já se sabe quem vai ganhar a licitação), numa transação que envolverá inicialmente R$ 330 milhões, somente este ano. Incrivelmente, ele não foi repreendido pelo presidente da casa. Assista aqui: Heine Macieira aplaudindo a decisão

A nítida subserviência desses 11 vereadores ao executivo e o evidente controle do executivo sob o Legislativo, em especial através dos projetos enviados em regime de urgência ou urgência especial, há muito tempo contraria a Lei. O notório não comprimento das regulamentações que estabelecem as funções do poder Legislativo fornece margem suficiente para uma intervenção judicial na Câmara.

O fato desses 11 vereadores não fiscalizarem a Prefeitura e ainda impedirem que os outros 4 (Humberto Henrique, Marli Martins, Dr. Manoel, Mario Verri) o façam, explica os últimos escândalos no Paço Municipal.

Portanto, partindo do princípio da soberania do povo, garantido na Constituição, compete às Igrejas, OAB, Observatórios, demais organismos sociais e Ministério Público, as providências para uma intervenção a qualquer tempo.

Seja um munícipe mais atuante. Coloque em ordem suas mais importantes casas, antes que seja tarde.

Assista às sessões gravadas: Sessões da Câmara Municipal